terça-feira, 18 de agosto de 2015

Israel


Jerusalém

Dizem que é a Terra Santa, mas de paz não reza a História de Israel. Ele define-a como um ponto de encontro. De civilizações. De povos. Culturas e crenças. Do velho e do novo. Do passado e do presente. Que o futuro é incerto. "A História continua sendo escrita. Passa por baixo dos seus pés."
Márcio Kramer é guia turístico em Israel. Convidou-me a visitar a terra que deu ao mundo a Bíblia, o livro que reúne o Antigo e o Novo Testamento. Profecias e passagens da vida de Jesus e dos apóstolos . A terra sagrada onde se geraram as três religiões abraâmicas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo."A visita a este verdadeiro drama humano dá ao viajante uma nova visão do velho mundo e direcciona-o de forma surpreendente para o futuro."
O turismo religioso é uma das principais fontes de riqueza do estado de Israel.  O territórios israelo-palestinianos albergam cidades antiquíssimas, referenciadas na Bíblia como Belém, Nazaré, Cafarnaum e muitas outras. "Atravessar a fronteira nem sempre é fácil, mas esta pode ser a viagem de uma vida. Você vai pisar a terra que o maior ídolo da Humanidade, Jesus, pisou."
Jerusalém, capital de Israel, localizada entre o Mar Morto e o Mar Mediterrânico é considerada cidade sagrada pelas três religiões monoteístas. Cristãos, judeus e muçulmanos prestam culto na cidade da paz. "Anualmente, a cidade, recebe milhares de peregrinos vindos de todo o mundo. "
No Monte das Oliveiras, onde Jesus passou grande parte da sua vida e ia transmitindo os seus ensinamentos, encontramos, no local onde a Virgem Maria foi enterrada e subiu aos céus, uma Igreja. Uma espécie de caverna construída na época das cruzadas e decorada com velas.
A Basílica da Agonia, também no Monte das Oliveiras, é outros dos locais sagrados para os cristãos. Foi aqui, no lugar onde está a Pedra da Agonia, rodeada pela coroa de espinho de ferro forjado, que Jesus rezou e suou sangue na noite antes de ser preso. À volta das Igreja os Jardins de Gâtsemani, onde Jesus foi traído e preso.
Continuamos a subir o Monte. Antes de chegar à Basílica da Ascensão, local onde Jesus ascendeu aos céus, 40 dias depois da ressurreição, encontramos a Igreja Ortodoxa de Maria Madalena, onde está enterrado o seu corpo.
Descemos novamente à cidade, para visitar a Basílica do Santo Sepulcro. Aqui encontramos a pedra onde Jesus terá sido lavado e perfumado depois de morto, o local exacto onde terá sido erguida a cruz e a pequena caverna onde o corpo de Jesus terá sido sepultado. Neste local existe uma pequena capela onde é possível rezar. " A História do Cristianismo passa por aqui. Os judeus e os muçulmanos, seguem outro caminho. Rumam à Domo da Rocha, local onde Abraão terá sacrificado o filo Isaac  ( teoria judaica) e onde Maomé terá subido aos céus (teoria islâmica). E é aqui que residem os conflitos. O local é tido como sagrado pelas duas correntes religiosas."
Mas, há mais para ver, fora de Jerusalém. O  vale do rio Jordão é dos locais mais belos de Israel. O rio, onde João batizou Jesus, nasce no Monte Hermão, cruza-se com o Mar da Galileia e desagua no Mar Morto. E o deserto da Judeia, árido e rochoso, carregado de História e simbolismo religioso."Foi aqui que Jesus Jejuou durante 40 dias e 40 noites e alimentou o povo com maná."
"O turismo religioso é o mais procurado. Mas há mais, muito mais para ver e descobrir. Já ouviu falar da fenda Sírio-Africana, a maravilha geológica do Mar Morto? Da costa israelita, banhada por quatro mares? Das praias do Mar Morto,  do Mediterrânico, do Mar da Galileia e do mar Vermelho? É muito mar!
 Seja bem-vindo a Israel, tenho muito para lhe mostrar e contar!"


Nesher, Israel

Baraq, Israel

Genesaré
I
Fenda Sírio-Africana

Jerusalém (tradução amor)

Banias, reserva natural.

Mar Mediterrânico

Atlit, costa mediterrânica


Eu, tu e o mar

Praia da Luz

A Lua cheia governava a noite. Não havia uma única nuvem no céu. Estrelas, muitas. Adivinhava-se mais um bonito amanhecer, com o Sol a raiar o horizonte. O mar vestiu-se de azul. Escolheu um tom claro. Tranquilo, a combinar com a época estival. E eu de branco. Que é cor que vai com tudo. Com o castanho dos teus olhos. Com o azul do mar. E com o verde do pequeno jardim, que esconde uma das maravilhas da Foz do Douro, a esplanada da Praia da Luz. 
O trilho é curto. E romântico por natureza. A luz fosca. E o ambiente propicio à troca de beijos. Beijos que muitas vezes terminam na areia molhada, embalados pelo mar. E outras tantas, para os menos ousados, no refúgio da esplanada.  Há uma mesa de madeira. Um candeeiro e duas cadeiras. Apenas duas, propositadamente. À volta árvores frondosas, de grande porte. E para completar o terraço superior está fechado.
Mas daqui não se vê o mar. Ouvi-mo-lo. Senti-mo-lo perto. Mas não o vemos. É preciso descer a escadaria e escolher uma das muitas espreguiçadeiras de lona branca, que se debruçam sobre as águas. Não há recantos secretos. A esplanada é ampla e estende-se areal adentro. Mas o ambiente continua intimista. Aconchegado pelo chocolate quente, que repousa sobre a mesa. Pela conversa a dois. Pela troca de olhares, apaixonada. E pela brisa que nos beija o rosto, suavemente. Sedutora. Intensa. É um convite a um passeio na praia. E, porque não? 






quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ilha dos amores

Ilha dos Amores, Castelo de Paiva

Dizem que é dos amores, a ilha que descobrimos no local onde o Douro e o Paiva se encontram. Dizem que outrora testemunhou um amor trágico. E que no fundo do rio repousam os corpos dos amantes.
Reza a lenda que um jovem lavrador de Castelo de Paiva se perdeu de amores por uma donzela, oriunda de uma família abastada. Era um amor correspondido mas amaldiçoado pelo pai da jovem.
Por esse dias chegou à cidade um nobre, e também ele se perdeu de amores pela bela mulher. Certo dia preparando-se o fidalgo para pedir a jovem em casamento dirigiu-se ao rio. Procurava calmar o coração. Encontrando-o sozinho, o lavrador, não hesitou, decapitou-o e atirou o corpo ao rio.
Amedrontado, o jovem refugiou-se na ilha. Os dias passavam. As saudades apertavam. Há semanas que não cruzava sequer o olhar com o dela. Encheu-se de coragem, .voltou à cidade e convenceu a ir com ele para a ilha.
Durante a travessia, levantou-se uma enorme tempestade e os dois amantes foram engolidos pelo rio. Dizem que foi obra do espírito do fidalgo.

Rumo à Ilha dos Amores, onde a existe uma enorme diversidade de fauna e flora.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Caminha # vila histórica #


Miradouro da Boavista & Muralha

Estamos no Minho. Em Caminha, uma vila portuguesa do distrito de Viana do Castelo, na zona fronteiriça. Da Galiza, separa-nos o rio. O Minho. Que aqui encontra o mar. E que sustenta a economia local. Piscatória. Agrícola. E turística.
É um vila histórica. De tradição castrense, como o testemunha a muralha, ou o que dela resta. E, foi daí, do Miradouro da Boavista, que partimos à descoberta de Caminha.
Da muralha ao Largo do Terreiro contam-se os passos. Nas ruas, trajadas a rigor, dos Lenços Minhotos se enamoram os olhos. E das floreiras agraciadas com o rosa vivo dos amores-perfeitos.
O Largo parece saído de uma película antiga. Ao centro, o Chafariz, de estilo renascentista. Obra de um português. Emolduram-no o casario minhoto, adaptado à restauração e ao comércio tradicional. As esplanadas. As gentes, trajadas, também elas, a rigor. E o património arquitectónico religioso, militar e civil. A Igreja da Misericórdia, onde é venerada Santa Rita de Cássia. E a Torre do Relógio, antigo posto de vigilância.
Do Terreiro avista-se o Minho. Havemos de ir vê-lo de perto. E ao Coura também. Que ao Minho se entrega ao largo do Jardim Bento Coelho. Mas, antes aconcheguemos o estômago. E não me podem esquecer as lembranças.
Para comer, o Largo é o local mais indicado. A oferta gastronómica anda à volta das caldeiradas. Da lampreia. E do cabrito estufado. Para sobremesa, sugerem os famosos caminhenses. 
Também eles fazem parte da história. Tal como a Igreja Matriz de Caminha, na Rua Direita, símbolo maior da fé do povo. Tal como o ouro. O artesanato. O mel.  Os lenços. E tantos outros produtos regionais, que encontramos há venda nesta que é a rua mais comercial da vila.

O uso do traje à lavradeira, em dias de romaria, é uma das mais antigas tradições minhotas.




Praça Conselheiro Silva Torres ou Largo do Terreiro. Ao centro o Chafariz, obra renascentista, do canteiro português João Lopes, que data do século XVI.


Largo do Terreiro & Torre do Relógio.

Torre do Relógio, construída no século XII. Era a torre principal da muralha. & Igreja da Misericórdia, onde é venerada Santa Rita de Cássia, data do século XVI. Estilo Renascentista.

Igreja Matriz de Caminha, também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Assunção. Foi construída entre 1488 e 1556, dentro da cerca medieval. Apresenta traços Góticos, Manuelinos e Renascentistas.

 Foz do Rio Minho. E a Galiza à vista.

O Parque de Campismo de Caminha, fica nesta mata, junto à Foz do Minho.

 Forte da Ínsua, remonta ao século XVII. Foi construído para defender o Convento de Nossa Senhora da Ínsua, obra da Ordem Franciscana do século XIV.






No Gerês

São Bento da Porta Aberta, parque de merendas.

Foi o mel que me lembrou da serra. O pote de mel biológico que comprei no mercadinho de produtos regionais, que aos domingos anima o largo do Santuário do São Bento da Porta Aberta.
Dizem que é o santo das doenças ruins, não viemos em busca de cura, mas acabámos por entrar. Os painéis de azulejos que encontrámos nos claustros, onde estão retratadas cenas da vida do santo, quase nos roubavam a atenção, não se abrissem as largas janelas sobre o Parque Natural da Peneda Gerês, demorávamos-nos um pouco mais. Mas, com esta imensidão de verde à nossa espera e um céu tão azul, não há santo que nos prenda aqui. Vamos encher os pulmões de ar e os olhos de verde. Vamos?

Vista dos claustros do Santuário de São Bento da Porta Aberta

Rio Arado

Rio Arado

Cascata do Arado

Terras de Bouro




terça-feira, 4 de agosto de 2015

Casa da Escrita

Jardim interior, Casa da Escrita

Dizem que é da escrita, a casa que já foi do Arco. Encontrei-a no emaranhado de ruelas, que é a Alta coimbrã, a escassos metros da Torre do Anto.
Tantas são as vezes que a simplicidade exterior dos edifícios esconde salas ricamente decoradas, não é o caso. À parte do trabalhado dos tectos, herança do século XIX, pouco há que sobressaia no branco, que se estende pelos vários pisos que constituem a Casa da Escrita. Algumas peças em louça, que ocupam armários antigos, também eles pintados de branco, daqueles que ainda encontro na casa da minha avó. Um piano e algum mobiliário de linhas contemporâneas. No sótão, que foi transformado em biblioteca e sala de estudo, há livros. Revistas e jornais para consulta. Máquinas de escrever. Papel envelhecido, com alguns dizeres de poetas afamados, como Pessoa ou Negreiros. Tinteiros e penas que, que nos remetem, de imediato, para outros tempos.
Não deixa de fazer sentido, todo aquele branco. Todo aquele vazio. Permite a quem por ali passa pintá-lo da cor que lhe aprouver, nas linhas de uma folha de papel ou em pensamento.
A tranquilidade, quase religiosa, do interior do edifício estende-se aos jardins. O traçado azul e amarelo, da azulejaria tradicional portuguesa, que reveste o limite inferior dos muros, é o único apontamento de cor, além daqueles que a mãe natureza se encarrega de conferir ao espaço. 
O jardim está deserto. As cadeiras abandonadas, ao sol. As folhas de papel, virgens, anseiam pelo toque da pena que lhes há-de tirar a imaculada brancura. Vamos escrever? Que é da escrita, que a casa é.

Jardim interior

Biblioteca/Sala de Estudo






Da varanda, avista-se o Mondego.

Casa da Escrita, Alta de Coimbra, Património da UNESCO.

sábado, 1 de agosto de 2015

Na Alta

Alta de Coimbra, Património Mundial da Humanidade

Quantos mais centros históricos visito, mais me apaixono. O de Coimbra conheço-o desde os tempos da faculdade. Poucas vezes me faço ao caminho, não fosse ele íngreme, e o tempo pouco, perdia-me muitas mais vezes por estas ruas, onde não faltam motivos de interesse.
O percurso foi curto, da Ferreira Borges à João Jacinto, mas, de quanto vi, se faz crónica, como é usual.
 Bons passeios.

Quebra-costas





Arco da Almedina