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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

É Natal # comecei a época a namorar as ruas do Porto #

Avenida dos Aliados, Porto, Dezembro de 2015

Caiu a noite. O frio não dá tréguas. Aquele friozinho, quase delicioso de Dezembro, que parece trazer cada vez mais gente às ruas. Há quem faça compras. E, há quem, como eu, namore a cidade engalanada. É um dos meus maiores prazeres natalícios andar pelas ruas. Que repito ano após ano, como se de um ritual se tratasse. E, para que o prazer fosse, ainda mais absoluto, haveria de poder percorrer todas as cidades, vilas e aldeias e descobri-las mergulhadas na espírito do Natal. Que torna as coisas ainda mais belas.
O senhor Júlio estava lá, no mesmo lugar de sempre, à saída do metro do Bolhão. Cumprimentou-me com um sorriso sincero e meia dúzia de palavras, que aliás dispensa a todos os clientes. Meteu-me as castanhas no cartucho feito de jornal, e, eu devolvi-lhe o sorriso.
Há muita gente em Santa Catarina. E, ainda mais nas lojas, são na maioria mulheres, também elas engalanadas, metidas nos seus longos sobretudos encarnados, brancos ou negros. Apresso o passo. Que é tempo perdido tentar namorar a rua com tanta gente. Quase não há espaço para dispensar atenção aos pormenores. Vou espreitar a árvore. Que a esta hora a Avenida já se adivinha mais tranquila. Sento-me. E fico por ali, a sonhar como sempre. Que o meu Natal é feito de sonhos desde menina.

Avenida dos Aliados, Porto
Clérigos
Passeio dos Clérigos
Intercontinental, Palácio das Cardosas
Rua das Flores



A programação de Natal no Porto arrancou na passada sexta-feira e prolonga-se até dez de Janeiro. Um dos momentos altos da festa contempla o concerto de Pedro Abrunhosa, na noite de passagem de ano.







terça-feira, 24 de novembro de 2015

De Santa Catarina à Muralha # o meu Porto é lindo #

Rua de Santa Catarina, Porto

Santa Catarina é a rua mais comercial do Porto e uma das mais movimentadas. A aproximação do Natal complica ainda mais as coisas. Já há gente à procura de presentes, talvez tenham razão, daqui a mais uma ou duas semanas será quase impossível circular ou comprar alguma coisa sem esbarrar em alguém. Mas, eu prefiro esperar pela abertura oficial da época natalícia na cidade, agendada para a próxima sexta.
Entre as lojas, as dezenas de lojas de grandes marcas, o comércio tradicional, os vendedores e os artistas de rua, há duas casas que merecem uma visita mais demorada, o Majestic, considerado um dos mais belos cafés da nação, e a Fnac, para quem, como eu, gosta de livros.
Do conjunto arquitetónico destaca-se a Capela das Almas, construção que data do século XVIII, famosa pelo seu revestimento exterior de azulejos de Eduardo Leite, executados em 1929 pela Fábrica de Cerâmica Viúva de Lamego. Na azulejaria estão representadas cenas da vida de São Francisco de Assis e de Santa Catarina, virgem egípcia de sangue real martirizada no Monte Sina.

Capela das Almas, Rua de Santa Catarina.

No sentido oposto à Capela das Almas, a rua conduz à Praça da Batalha e à Igreja de Santo Idelfonso, que também data do século XVIII e que também está revestida por azulejos, neste caso de Jorge Colaço. Os azulejos retratam cenas da vida de Santo Idelfonso e a Eucaristia. Além da igreja, fica na Praça, um dos mais recentes hotéis da cidade, o Moov Hotel Porto, instalado num edifício centenário, ao estilo Art Déco. Alguns metros adiante cruzei-me com o histórico Teatro de São João.  Que, nos dias em que as compras não fazem parte dos meus planos, este é o meu passeio preferido.
Porquê? Ora Porquê! Descendo da Praça da Batalha à Muralha Fernandina, cintura medieval da cidade, que tantas vezes passa despercebida, vê-se o rio. E eu não me canso de ver o rio!

Igreja de Santo Idelfonso, Praça da Batalha.



Muralha Fernandina ao lado do tabuleiro superior da ponte D. Luís I

Vista a partir de Muralha


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

No Porto # da Ribeira aos Aliados #


Avenida dos Aliados

Saí da Ribeira, depois do almoço, na companhia de um magnífico Sol de Inverno que banhava o rio, as casas, as ruas e os rostos. Subi uma das ruelas que conduzem à Praça do Infante D. Henrique, o homem que deu a conhecer novos mundos ao mundo. O comandante da armada que partiu à conquista de Ceuta. O comandante da grande epopeia lusitana, os descobrimentos. Por tais feitos lhe prestou a cidade homenagem. E construída foi a praça. E uma grande estátua, no centro da praça.

Ribeira & Muro dos Bacalhoeiros

Praça do Infante D. Henrique & Mercado Ferreira Borges [ edifício vermelho em ferro]

Palácio da Bolsa

Na Praça, emoldurando-a, o Mercado Ferreira Borges e Palácio da Bolsa, sede da Associação Comercial do Porto. O edifício, ao estilo neoclássico, remonta a 1842, as atenções rouba-as o salão árabe. Havemos de o visitar, outro dia. Que, os dias são, agora, bem mais curtos e daqui ao coração da baixa ainda há muito que ver; a começar pela Rua das Flores, uma das mais movimentadas da cidade, onde se multiplicam as boas casas de petiscos e de chocolates.
Contento-me com o passeio, esta tarde. Contento-me em olhar as montras, vestidas com as cores da estação. A rua leva-me ao largo da Estação de São Bento donde se avista a Sé Catedral do Porto.
Cheguei ao coração da cidade! Estou a escassos metros da histórica Avenida dos Aliados e da rua mais comercial do Porto, Santa Catarina. A Avenida é feita de História. Não há edifício que não a tenha para contar, a começar pelo Palácio das Cardosas, recuperado e transformado num luxuoso hotel. No rés-do-chão do hotel existem algumas lojas dedicadas ao comércio de luxo e um restaurante, elegante. Nas traseiras uma praça, a Praça das Cardosas, onde se realiza, ocasionalmente, um Urban Market. E onde se vendem uns patês deliciosos, os Bernardo's.

Avenida dos Aliados

Urban Market, Praça das Cardosas.

"Todos os caminhos vão dar a Roma", parece-me que o provérbio assenta bem à Avenida dos Aliados. Que é aqui que se chega. E, daqui que se parte; são muitas as ruelas que sobem e descem a partir da Avenida, como é o caso da Rua Passos Manuel, onde encontramos a AmoreFrato e a Leitaria da Baixa, duas lojas muito doces.








segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Comecei o dia na Ribeira

Atravessámos a ponte. Que é de Gaia que se tem a melhor vista para o Porto.

A cidade acordou cinzenta, envolta naquele nevoeiro usual das estações mais frias, que confere um ar quase teatral à Ribeira. É daqui que partimos à descoberta da Invicta. 
Invicta? É histórica, a explicação. Remonta ao século XIX, o episódio que deu origem ao cognome “mui nobre e leal cidade Invicta”. São palavras de D. Pedro. Proferiu-as por ocasião do levantamento do cerco à cidade pelos absolutistas, liderados por D. Miguel, durante a revolução liberal que opôs absolutistas e liberais. Em troca da lealdade, ofereceu D. Pedro o coração à cidade.
Caminhemos! Que se faz tarde. São muitas as histórias que a cidade tem para contar. Outras tantas as direções que podemos seguir. E todas elas com motivos de interesse. É apreciador de vinho do Porto? Recomendo-lhe que atravesse a ponte, e pode fazê-lo a pé. As caves das mais antigas e conceituadas marcas de Vinhos do Porto ficam do outro lado do rio, em Gaia. Além de provas de vinhos, há visitas guiadas. As Caves da Burmester, junto ao tabuleiro inferior, são as únicas que se localizam na zona classificada como Património Cultural da Humanidade.

Ribeira de Gaia



Para lá da Ribeira de Gaia e do Cais, donde saem os cruzeiros com destino ao Alto Douro, existe ainda um estaleiro de construção naval. É o último dos treze estaleiros que existiam entre a ponte D. Luís I e a Afurada, no século XIX. São dez os homens que ali trabalham. São os últimos carpinteiros navais do Douro navegável.

Afurada, o último estaleiro naval.








quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Acabo de me apear em São Bento

Estação de São Bento, Porto

Vou nada menos que ao Porto e prometo que de quanto vir e ouvir de quanto eu pensar e sentir se há-de fazer crónica." São 4 deste mês de Novembro. O trem, que me há-de levar,  dará entrada na linha dentro de breves instantes. Algumas dezenas de viajantes aproximam-se da plataforma, tal como eu. O comboio desliza, tranquilamente, sobre a linha até que se imobiliza. Um senhor alto, de ar distinto, que segura com afinco uma maleta de mão, dourada, abre a portinhola e cede-me, gentilmente, a passagem. Procuro o lugar indicado no bilhete. Sento-me, confortavelmente, junto à janela. No regaço, o meu companheiro de viagem, um livro, os pastéis e as queijadas de Tentúgal para a D. Violeta, que teimou em receber-me em sua casa.

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As carruagens movem-se, languidamente, através da ponte de São João. O olhar já se perde nas águas douradas, nas ruelas estreitas da Ribeira, no casario, que serpenteia pela encosta recortado pelo verde que o emoldura. "Ah, ver o Porto, ver o Porto é guardar imagens da luz e da atmosfera que, em algumas horas e em certos dias, como o de hoje, envolve, define e acentua os contornos do burgo, dos morros, das torres, dos maciços verdes, das muralhas, das pontes e dos palácios, das margens, apinhadas de gente de fora que se mistura com as gentes da terra,e do cais onde os rabelos balouçam ao sabor da corrente."
Acabo de me apear na estação de caminhos-de-ferro de São Bento. A D. Violeta teimou em vir esperar-me. Como se eu não conhecesse o caminho. A Estação de São Bento, localizada no coração da zona histórica do Porto, foi construída no início do século XX, no preciso local onde existiu o Convento de S. Bento de Avé-Maria. O edifico, imponente, inspirado no estilo arquitectónico parisiense, do século XIX, com o seu telhado de mansarda, estrutura de ferro fundido e frontaria de pedra, projectado pelo arquitecto Marques da Silva, foi considerado um dos mais belos do mundo, pela edição on line da Travel Leisures.
A D. Violeta acena-me, do outro lado do átrio. Reconheço-a pelos óculos pesados e pelo sorriso rasgado que lhe compõem o rosto. Apresso o passo. Não presto a devida atenção ao magnífico átrio, da estação, revestido com azulejaria tradicional portuguesa. Aqui foram representadas cenas da História e da vida portuguesa bem como da evolução dos transportes, pela mão do pintor Jorge Colaço. Os flash sucedem-se. Os estrangeiros querem imortalizar a gare nas suas memórias digitais. Alguns preferem, ainda, os velhinhos postais.







           

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Majestic # o mais deslumbrante café da nação #


 -- Um chá, por favor. E para acompanhar, o que me sugere?
-- Normalmente servimos o chá das cinco com sandwiches, salmão fumado fumado e pepino com queijo creme, scones e natas frescas, compota, manteiga e mel e mini pastelaria. Mas pode, perfeitamente, acompanhá-lo com uma das nossas rabanadas envoltas num suave creme de ovos e frutos secos.
-- Aceito a sugestão!

Ao fim da tarde, a chuva teimava em continuar a cair, afastando os trausentes das ruas. E, afastando-me, também, a mim do habitual passeio pela baixa. Além disso era hora do chá, segundo a tradição inglesa. Entrei no Majestic. Que só lhe conhecia a esplanada exterior. E, era minha intenção comprovar a veracidade das palavras do UCityGuides " é na segunda maior cidade do país que encontramos o mais deslumbrante de todos os cafés da nação e um dos mais atraentes do mundo."
Não passa despercebida a fachada, um belo exemplar da Arte Nova, a quem se passeia pela rua. Nem a fachada, nem, tantas vezes, a fila de espera. O café abriu em 1921 na Rua de Santa Catarina, no Porto. Tornou-se num lugar de discussão pública por excelência, frequentado pelas gentes letradas. E, ainda hoje, tanto a arte como a cultura têm as portas abertas.



Fica no número 120 da Rua de Santa Catarina. Além do salão decorado ao estilo Belle Époque, existem uma Galeria de Arte, no piso inferior, um Jardim de Inverno, nas traseiras, e uma esplanada exterior, na frente do café.

Rabanada Majestic. 







terça-feira, 20 de outubro de 2015

Jardim do Passeio Alegre # saudades de uma tarde de verão #




Lembro-me da tarde em que fomos ao Jardim do Passeio Alegre, pela primeira vez. Era uma das últimas de Agosto. O vento dera tréguas, o que é pouco comum à beira-mar, mesmo em dias de calor. Que do Jardim já se avista o mar. E já se sente a brisa, tantas vezes agreste.
O Jardim do Passeio Alegre, na Foz do Douro, data do século XIX. Não há margem para equívocos quanto à "porta de entrada", os dois obeliscos, obra de Nicolau Nasoni, rasgam a alameda que recorta o jardim, lugar tranquilo por natureza.
Fomos passear, é coisa que nos apraz. Mas, havia gente à conversa. Gente a namorar o rio. E o mar. Crianças brincando. Que no jardim há um mini-golfe. E uma grande azáfama à volta do Chalé Suísso, construção octogonal, de traçado romântico [ século XVIII], transformada em casa de chá e ponto de encontro das gentes endinheiradas da Foz.
Deixámos para outro dia, o chá. Impunha-se o passeio, demorado, como devem ser os passeios. Que, pormenores, há-os em toda a parte. Escapam aos mais distraídos, tantas vezes. Mas, não aos que o vagar oferecem à descoberta. O Jardim não é excepção; conserva no seu inteiro elementos arquitectónicos e naturais ricos o suficiente para nos demorarem, como o Coreto, o Chafariz e a Fonte.
Ah, que saudades do Verão, nestes dias cinzentos.










domingo, 4 de outubro de 2015

Jóia da Coroa # Requinte & Elegância #

Edifício Jóia da Coroa, antiga Ourivesaria Aliança. Emoldurado pelas vitrinas da antiga joalharia encontramos, no primeiro andar o Jóia da Coroa Excellence. O serviço é feito em louça de época, restaurada pela proprietária, Jeannine Monteiro.

Flores à varanda. Que é de ferro forjado, verde. Mantiveram a fachada do edifício. Que foi casa de uma das maiores ourivesarias da Península Ibérica. A Aliança. E que é, hoje, Monumento Nacional.
O letreiro continua lá, por cima da porta blindada, para que a memória não se apague. E não apaga. Prolonga-se no interior do edifício, transformado em Galerias. Entremos!
Abrem-se as portas. Abriu-as o porteiro. Engalanado. São poucos os que se encontram por aí trajando tal elegância. Nas roupas. E nos modos. Rasga um sorriso. E oferece-nos uma mesa no salão de chá, que ocupa o rés-do-chão. O Nunca é Tarde.
Recusámos. Temos encontro marcado na Jóia de Coroa Excellence, no primeiro andar, com a proprietária do Jóia da Coroa, Jeannine Monteiro. Ofereceu-nos um chá acompanhado de scones. E da história do edifício. Que começa no serviço de louça que traz à mesa. Restaurou-o peça a peça; tal como restaurou os tectos, onde foram colocadas folhas de ouro, uma a uma, emoldurando o branco e o rosa suave ; tal como restaurou o mobiliário ao estilo Belle Époque.
É feita de pormenores. E de História, a casa. Que já foi do ouro. Abriram-nos as portas do tempo. Sem aviso prévio. A Mezzanine debruça-se sobre o rés-do-chão, a partir da varanda. Que é de oiro, também. Emolduram-na as vitrinas, que pertenciam à antiga joalharia. Cumprem o seu papel original, algumas, ainda.
Chove! Cai bem um chá, à meia luz.

 Tem ares de Paris, o Jóia da Coroa. Inspiraram-no as Galerias La Fayette.

Nunca é Tarde, salão de chá do rés-do-chão.

No primeiro andar há uma exposição de jóias nas vitrinas de cristal da antiga ourivesaria. O acesso faz-se através de um elevador de portas de correr, também ele herança da Aliança, ou de uma escada de madeira. E estendida está a passadeira vermelha. Nos restantes andares há Boutiques de moda.

Jóia da Coroa, antiga Ourivesaria Aliança, Rua das Flores, Porto.